sexta-feira, 27 de março de 2015

"SAUDADE"

"SAUDADE"

Minha alma é sedenta de palavras   
Sou talvez o que escrevo, tento ler o que não sou
Sensações nas palavras que respiro
Abro as portas da minha alma de todo o meu ser. 

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


sexta-feira, 20 de março de 2015

ANOITECE DEVAGAR


ANOITECE DEVAGAR

Anoitece devagar esta noite já tão longa
Sobre os meus ombros onde não estou
Em redor do teu corpo vejo-te a dormir
A penumbra invade a nossa velha cama
Corroendo tudo que é da própria solidão
Ela vergava-me, com o passar do tempo
Escrevo-te nesta noite, sinto um arrepio
                                                              

Vertigem que enche o coração de pavor
Povoei-a com sorrisos e muitas saudades
Aderiram à memória com pequenos gestos
Onde vivo e pressinto o coração a arder
Anoitece e estás constantemente presente
Vibras sob a luminosidade imperceptível
O teu corpo vive hoje dentro do espelho
Uma sombra refletida onde se perdeu o meu.
Se morresse agora não deixava nada ser eterno
Bebia toda a minha sede, devoraria as noites amargas.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quinta-feira, 12 de março de 2015

"DO TEU CHEIRO "GOSTO "

"DO TEU CHEIRO "GOSTO "

Do teu cheiro gosto bastante
Quando me invades a alma
Fazes-me viajar para longe
Roubas os meus pensamentos
Leva-os para terras longínquas
Nunca me perguntas se eu quero
Levas-me simplesmente
Contigo ando de mãos dadas
As tuas folhas são linhas do meu coração
Que eu permito, preciso e procuro
Contigo levito, voo sem asas
As minhas mãos estão sedentas de ti
Página a página, de partes de nós
Amo sentir, contigo recomeço tantas vezes eu queira
Sonho contado, escrito em várias línguas
Em todos os idiomas pelos quatro cantos do mundo
Dimensões, realidades, sonhos de encantar
Incentiva os corações de várias gerações
Até os insensíveis, os durões choram
Riem, amam e sofrem
Do teu cheiro eu gosto muito
Sentem-se a germinar, a transformar
Dos velhos livros já lidos e relidos
E os novos à espera para serem lidos.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 6 de março de 2015

"FILHOS"

"FILHOS"

Os meus queridos filhos
São e serão sempre "os meus filhos"
Sangue do meu sangue, carne da minha carne
Enquanto eu viver, enquanto viverem, eu serei a sua mãe
Os filhos são um fragmento de nós
E não um prolongamento dos nossos sonhos
Temos o dever, obrigação de os ensinar a caminhar no mundo
Amando-os sempre, por muito diferentes que sejam de nós.
Eles são livres para sonhar e desejar um futuro à sua maneira
Não à nossa, temos de respeitar os seus sonhos
Os meus filhos são e serão sempre meus filhos
Do amor, da razão da minha vida, pedaços do meu coração.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca