terça-feira, 22 de abril de 2014

"CONSOLO NAS PALAVRAS"

"CONSOLO NAS PALAVRAS"

Olho para mim, talvez para trás a dor passou
............O vazio é como um deserto.
Sem vida que seca todos os dias.
............As noites virão para ti em silêncio
Olha-me, pede-me, procura-me
............No desespero da minha partida.
Nas palavras de consolo, pelos cantos da casa.
Nos passeios de mãos dadas, nas noites de lua cheia.
No perfume que ficou, nas roupas da nossa cama.
Dos nossos jantares, dos olhares
Nas tuas lembranças, do teu passado, do meu passado
Nas minhas lágrimas que ainda não secaram.
No desejo que sinto da tua boca, dos abraços fortes e sinceros.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


domingo, 20 de abril de 2014

"QUENTE DIA"

 "QUENTE DIA"

Num quente dia de verão
Quisera eu dar-te asas que não possuo
Talvez tu não me amas, como eu gostava que me amasses
Abro a porta de um poema, espreito senti o espelho a mirar-me
Molho os pés na agua fresca, como um rio de palavras
Murmúrio de um corpo vazio,nas margens, vertigem de um rio
Despe-me das vestes dos sonhos
Sonhos que nascem na mente, retalhos imaginários
Coloco a máscara, escondo o rosto, recolho as asas
O espelho olha-me, deixo as palavras morrerem no peito
O jardim deixa de florescer, as letras são feitas de frases ocas
Textos perdidos, desvarios da mente
Recolho-me enrolo o corpo, selo a alma com palavras mortas
Metáforas num prenúncio de fim.
Num quente dia de verão o sol ardente
Queima-me a pele, secando cada pétala, num último suspiro
Pequeno sopro, quisera eu dar-te asas que eu não possuo
Talvez tu não me amas, como eu gostava que me amasses.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 16 de abril de 2014

" TEMPESTADES LIVRES "

"TEMPESTADES LIVRES "

Tempestade...tempestade livre e solta
Hoje até o mar está revolto
E as ondas sobem até ao topo
Das ramagens.....desgrenhamentos
Sua volta arrebenta nas areias mornas
Precisam de apreciar o vento
O choro vai até à água triste.
Longo vento, onde vem morrer no coração.
Batendo nos meus cabelos soltos
Os olhos contemplam os pensamentos
Corro na areia..... mergulho na água pura
Libertando-me das tonturas...loucuras
Imagem.....poder dos sentidos.
Abandonando a razão
Embriagando-se de si mesmo
De um amor que estou à procura...coberto de doçura.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sábado, 12 de abril de 2014

"COMPREENDIDA PELO TEMPO"

 "COMPREENDIDA PELO TEMPO"

Desejo ser compreendida
Pelo tempo que espera
Espero pelo tempo
Do vento....da brisa...da tempestade
De um mesmo pensamento
Onde aprendemos
A livrar-nos de determinados medos
A celebrar a vida em plena.....forma
Afugentar os medos.....para ser feliz
Com algum carinho.......paz e sorrisos
Desapegar ....travar o passo
O sonho....o voo
Há momentos em que os eucaliptos na nossa vida
São necessários
Sinto o seu aroma....perfumado
Mas....sobretudo
Os que passam pelas minhas memórias
Saudades daquele amor bonito
Que rouba-me o sono
Clareia-me o dia...como o meu mar azul
Plantamos os eucaliptos com os olhos
Olhares quotidianos
Interessados.....curiosos......
Desejo ser compreendida....que espera....é esta pelo tempo.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca




terça-feira, 8 de abril de 2014

" FIM DA TARDE"

" FIM DA TARDE"

O fim da tarde cala ou encanta
Canta melodias de alguém com os anseios
Cravados no peito....de um punhal ferido
Amo-te sobre uma mesa, sobre a sala severa
Quarto às cegas.....quando o silêncio fala
Fala à luz de uma garrafa
Garrafa num quarto fechado de desejo
Com as persianas da noite...das nossas solidões
Tarde gloriosa da tua carne.....da nossa
Pena......pena com a alma.
De um inteligente vinho.....doce.....amargo
Bebamos.......para recordarmos cada dia
Esta gota de ouro.....num copo.....num cálice
De cor púrpura....sangue quente nas veias
Neste outono das nossas vidas.
Vinho das pipas....barris....garrafas
Adegas perdidas...esquecidas e velhas
Com respeito.....desamor e beleza
Prolongadas pelo tempo.....feitas em milagres.
Felicidade que mora....mora em mim.....em ti
Primavera numa folha nova......nova onde
Ninguém perde......o anseio......numa tarde
De prazer.....moro em ti ...tu em mim
Crueldade nas espadas.....de uma garrafa.
Terra.......cântico do fruto....degastada no tempo
Cidade cega....abundam-te da tua beleza...
O fim da tarde cala ou encanta....quando o silêncio fala.
Fala à luz de uma garrafa...cheia de desejos do nosso outono.
Vinho.....doce.....amargo...bebamos......para recordarmos cada dia.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sábado, 5 de abril de 2014

"CARTA DOCE"

 "CARTA DOCE"

Escrevo-te esta carta......carta
Escrita de lágrimas...lágrimas
Derramadas em palavras de amor
De dor...solidão......tantas vezes cruéis
Ternas ...meigas ...tão minhas
Pelos momentos de lutas...sofridas.
Pelos nossos momentos de céu
Feitos de desejo carnais
Vividos intensamente....com toda força
Do universo.... força tão nossa.......nossa
Sim quero colocar em ti....toda esta
Minha poesia
Escrita na pele do teu corpo e no meu.
Banhada nas águas que correm neste nosso rio
Escritas e tatuadas na nossa pele
Pelo nosso corpo todo.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quinta-feira, 3 de abril de 2014

"DESCALÇA"

 "DESCALÇA"

Ando descalça pela calçada
Com os candeeiros velhos iluminados
Onde tiro as pedras da rua
Vejo-te ao longe
Em passos largos....afinal és aquele
Com quem divido as minhas lágrimas
Murmúrios.... e desabafos
Contigo....deixo a dor
Adormecer de desespero
E escrevo em poemas......de desejos
Cobertos de sentimentos áridos
Suspiros.....mágoas e um murmúrio
Onde escuto as palavras passadas
Cegas e ensurdecidas pela raiva
Esquecidas de lágrimas e de risos
Almas brilhantes...onde o mar cantava
E canta.....uma bela melodia
O vento falava com doces palavras
E gestos delicados.
Onde eu voo com asas de um condor ou águia
No luar da meia noite, que eu tanto queria ver
Dando a outra face
De um rosto...triste e talvez envelhecido
Dorme....docemente com os aromas......perfumes
Cheiros de poesia...afinal ando descalça contigo.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca