sábado, 27 de setembro de 2014

"SOMOS MARIONETAS"

"SOMOS MARIONETAS"

Somos marionetas submissas nas horas infinitas
Que ardem nos lençóis sem entenderem a poesia
Devaneios sem gestos cheios de delírios vagarosos
O silêncio dorme nos livros já lidos no cesto do quarto
Noites de insônia feitas em oração, em preces que se repetem
Despertam uma utopia nos meus dias de calafrios
Onde os gemidos escorrem nas paredes cheias de suspiros
São noites despidas, naufragadas, embriagadas do néctar raro
Lírios de beijos em flor suspirados no céu da tua macia boca
Vertigens poéticas dos teus fluidos que denotam o meu lago
Descanso os minutos, das minhas horas no desassossego das palavras
As grutas de fragas, de pedras, do meu silêncio são a vertigem da poesia
Marionetas submissas, nas horas infinitas nos lençóis sem entenderem a poesia!

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

terça-feira, 16 de setembro de 2014

OH MORTE...OH MORTE...ADEUS -



OH MORTE...OH MORTE...ADEUS -


Oh morte que o pavor me cubra
Dos olhos da esperança por quem viveu
Ou talvez de quem já não vive
Oh morte que o pavor me cubra
Muda agonia que o meu alento desfalece
Oh devora-me o corpo exausto que repousa
Jaz de morte nos lábios meus
Mortal desgosto cobre o meu rosto
Pedra de mármore fria de macio encosto
Oh saudade insana que não quer perder a alma
Magoa deixada na escuridão dos olhos
- Oh morte...oh morte...adeus -
Vai-te embora oh morte, ainda não é a minha hora.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sábado, 6 de setembro de 2014

A VOZ DOS TEUS LÁBIOS

A VOZ DOS TEUS LÁBIOS

Verões inquietos, que não voltam mais.
Unidos pelas nossas bocas, coladas ao nosso rosto.
Respiramos toda a essência de uma paixão.
Não contida nos velhos livros
Onde deixam passar as palavras.
Os amores eternos, do crepúsculo dos olhares perdidos.
Olhos nos olhos fechados
ao exterior a tudo que fluía à nossa volta.
Ser-te-ei sempre como um poema incompleto
Não por falta de palavras
Mas apenas pelo receio de as pronunciar
No eco das árvores.
Mesmo quando ninguém me tem
O teu coração enche a minha ausência.
 
Obrigado, por me amares assim
Por ficares aqui, e me quereres sempre.
Lá fora as minhas lágrimas escureciam
A alma cor- de- rosa
Onde encostavas o teu rosto
Fixei-me na voz dos teus lábios.
Juntei os meus lábios aos teus, o teu sabor devorou-me.
Tirei-lhes a tua vida
Dei-lhes a minha meu amor, éramos um só
Posso não ser a primeira
Nem a única, mas deixa-me ser a tua última flor.
Que os teus olhos veem, ao despedirem-se dos meus lábios.
Harpa em mim, melodias de sonho
Perdi-me de mim e a tua boca iluminou-se
Dela saíram as palavras que eu não quis encontrar
Enquanto te sentia
Verões inquietos, que não voltam mais…
Do crepúsculo dos olhares perdidos!

Isabel Morais Ribeiro Fonseca