sábado, 22 de agosto de 2015

ÁGUAS PROFUNDAS

ÁGUAS PROFUNDAS

Nas profundezas silenciosas do mar
Onde param os oceanos de nada para nada
Sem naus de marujos atracados no cais
Apodreciam aos pedaços todos os mastros
Onde dormiam nas mortas ondas dos abismos
Sepulturas de trevas na escuridão dos mares
Chamas quentes que gritavam, morriam com dor
De um inferno de caos de argila, barro seco, duro
Homens desolados, famintos, agonizavam num altar
De objetos santos, para um uso talvez profano
As trêmulas mãos raspam as débeis cinzas quentes
Para não dizer dejetos de um débil corpo ou corpos
Morriam de fome, eram devorados, por feras famintas
Com gemidos comoventes, de longos gritos desesperados
De inglória morte na terra, sovava-se o mal nas profundas águas.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

PERDIDO INVERNO

PERDIDO INVERNO

Camponês embaraçado
Entre os cachos da videira
Engolido no infinito pela linha férrea
Contava os minutos, as horas
No outono sem espelhos
Nas primaveras com pregos
Nas memórias sem armadilhas
Na brisa em agonia do verão
Nas lufadas da neve no inverno
Nas nuvens sem sombras
Onde estica, encolhe o seu acordeão
Pássaros no horizonte de tréguas
Preguiçoso criador que esqueceu a liberdade
Sem vontade num raio de sol
Morreu entre os carvalhos no monte.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 29 de julho de 2015

MEUS FILHOS

MEUS FILHOS

Meus filhos perder-vos
Era perder o chão que piso
- a relva que toco
Era deixar de sentir
O perfume das flores

- Meus filhos, meus amores

Perder-vos era não sentir
- a água salgada
Das doces lágrimas
- De tanta alegria no meu rosto

- Meus filhos, meus amores
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sábado, 4 de julho de 2015

MÃE- DEUS


Os nossos filhos são
As mais (...) belas flores
Do nosso amado jardim
São seres emprestados por DEUS.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca




Ser mãe é o maior ato de coragem
É não ter medo de os amar e de os deixar voar.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca