sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

DORMEM OS OCEANOS

DORMEM OS OCEANOS

O sol dorme silencioso na escura noite
Será a primeira vez num século onde
Os oceanos melancólicos, calmos, vermelhos
Encontrar-se no espelho da água lunar
De onde as caricias ardentes estão adormecidas
Pelos meus sonhos onde mantenho a minha vida

 
Presa de desejos de contemplar a noite escura
Perdendo a fé, fazendo da noite um crime
Um desejo, escuridão da verdade no fim do tempo.
Desejo que esta noite dure por uma vida inteira
Desejo-te nesta noite escura silenciosa ardente
Que as trevas ao meu redor sejam as margens
Do oceano, quente, solar melancólico e calmo
Que o meu desejo seja fundir-me com o sol

Para dormir e chorar contigo tirando o sofrimento
Que o coração tem, para que Deus não se afaste
Da nossa dor, da nossa vida
Eu velejarei durante mil anos, mil luas na sua presença
Nunca soube para onde ir, dias, noites de luz
Ficaram perdidos numa noite silenciosa escura
Onde o poeta toca num momento até que não haja
Mais nada para dizer, tocar ou escrever

 Desejo-te nesta noite escura, silenciosa, ardente
Desejo que esta noite dure por uma vida inteira
Que as trevas ao meu redor não me consumam
O corpo, a alma deste oceano escuro e profundo
Noite fria onde se perde a fé, a esperança na humanidade.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca