sábado, 6 de setembro de 2014

A VOZ DOS TEUS LÁBIOS

A VOZ DOS TEUS LÁBIOS

Verões inquietos, que não voltam mais.
Unidos pelas nossas bocas, coladas ao nosso rosto.
Respiramos toda a essência de uma paixão.
Não contida nos velhos livros
Onde deixam passar as palavras.
Os amores eternos, do crepúsculo dos olhares perdidos.
Olhos nos olhos fechados
ao exterior a tudo que fluía à nossa volta.
Ser-te-ei sempre como um poema incompleto
Não por falta de palavras
Mas apenas pelo receio de as pronunciar
No eco das árvores.
Mesmo quando ninguém me tem
O teu coração enche a minha ausência.
 
Obrigado, por me amares assim
Por ficares aqui, e me quereres sempre.
Lá fora as minhas lágrimas escureciam
A alma cor- de- rosa
Onde encostavas o teu rosto
Fixei-me na voz dos teus lábios.
Juntei os meus lábios aos teus, o teu sabor devorou-me.
Tirei-lhes a tua vida
Dei-lhes a minha meu amor, éramos um só
Posso não ser a primeira
Nem a única, mas deixa-me ser a tua última flor.
Que os teus olhos veem, ao despedirem-se dos meus lábios.
Harpa em mim, melodias de sonho
Perdi-me de mim e a tua boca iluminou-se
Dela saíram as palavras que eu não quis encontrar
Enquanto te sentia
Verões inquietos, que não voltam mais…
Do crepúsculo dos olhares perdidos!

Isabel Morais Ribeiro Fonseca