quinta-feira, 16 de abril de 2015

DOR E SAUDADE

DOR E SAUDADE
I
25 de abril...perdoem a minha ingenuidade
Descolonização dos países de língua portuguesa
Devia ter sido feita em paz....dar a escolher
A todos aqueles que nasceram lá.....devíamos ter
Tido escolha...escolha....onde devíamos ficar
Mas atiraram-nos aos tubarões.
II
Tenho 48 anos....sinto-me uma estranha
Nesta terra onde nasceram os meus pais
Não sei donde sou...muitas vezes sinto-me
Sem terra ...sem pátria....quem sou afinal ?
25 de abril tirou-me mais, do que me deu.
III
Os homens vivem todos juntos
Mas quando chega a morte
Morremos sozinhos e a morte
É uma suprema solidão, sobem ilegíveis.
Muralha fria onde habitamos....palavras de morte
Frágeis.....palavras que guardam
Gemidos imensos de suprema solidão
IV
Cordas de violinos ...do sangue do mundo
Triste.....triste das mortes ...triste da vida
Morte do homem que não tem coragem
De morrer......Morrer pelos outros
Pior que a morte.....é a dor de quem fica
De quem perdeu tudo.....perdeu.....e ficou sem nada
É a saudade de quem era....que deixo tudo
E não sabe a quem
Nem as lágrimas...acalmam a alma
Nem a tristeza de quem chora.
V
O pior da morte.....é o desapontamento
Desencantamento...de quem não tem lar
Terra ...Pátria....Pátria que ficou em cinzas
Sente que não pode continuar, sem força, sem nada
Muitos que vivem merecem a morte
Senhores da guerra...malditos......assassinos
Corrruptos, gananciosos, são feitos em heróis da pátria.
VI
De um país a arder....de uma pátria em cinzas
Cheia de cadáveres....sangue....sangue dos inocentes
Gente perdeu a vida que merecia viver
Desta guerra estúpida....estúpida ...maldita
Este é o meu pensamento...a minha dor
De um fatídico ano de 1975
Saudade dos cheiros, dos aromas, do capim seco
Ai Angola ....Luanda serás sempre Portuguesa
No meu coração.....na minha alma.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca